Vasinhos e varizes pequenas
Tratar as veias que aparecem e, quando possível, preservar a safena
Um tratamento feito no consultório, sem cortes e sem internação, que junta laser e uma solução de glicose gelada. Antes de tudo, um ultrassom mostra se esse caminho serve para as suas pernas.
Baseado em estudo publicado pela própria médica: Sathler de Melo & Faccini, Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, 2026. Trabalho apresentado no International Vein Congress, Miami, 2025.
É para você?
Tudo começa pelo tamanho da veia
Os médicos classificam as veias das pernas em estágios. O estudo tratou dois deles: os vasinhos (estágio C1) e as varizes de até cerca de meio centímetro, que a pesquisa chamou de C2 baixo. Varizes mais grossas, o C2 alto, pedem outra conversa.
Desenhos ilustrativos, fora de escala. Não são fotos de pacientes.
Na clínica, o perfil mais comum é o de mulheres que se incomodam com a aparência das pernas e querem resolver isso sem cirurgia. Foi para esse grupo que o protocolo foi desenhado.
Por que o ultrassom vem primeiro
Nem toda variz significa tirar a safena
A safena é a veia mais longa da perna. Durante muito tempo, quem tinha varizes ouvia que precisaria retirá-la ou fechá-la. Estudos mostram que, em muitas mulheres com veias pequenas, o problema da safena é só um trecho curto, e não a veia inteira.
Por isso a primeira etapa é um mapeamento com ultrassom Doppler, feito em pé. Ele mostra por onde o sangue está voltando no sentido errado (o que os médicos chamam de refluxo). Com esse mapa em mãos, dá para tratar as veias visíveis e, quando possível, manter a safena, em linha com diretrizes recentes de sociedades americanas que favorecem preservá-la (Gloviczki, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2024).
Como funciona
Calor, frio e glicose na mesma sessão
O nome técnico é longo: laser crioescleroterapia híbrida hemodinâmica, ou HHLCS. A ideia é simples: três agentes trabalhando juntos sobre a mesma veia.
Laser
Um laser de luz infravermelha atravessa a pele e aquece a veia por dentro, o que a faz encolher. A pele é resfriada ao mesmo tempo, para protegê-la e diminuir a dor.
Solução gelada
Nas veias maiores, a solução é resfriada até virar uma pasta semissólida. O frio parece aumentar o efeito sobre a parede da veia.
Esclerosante de potência moderada
A substância injetada é glicose concentrada. Ela irrita a parede da veia até que esta se feche e deixe de aparecer.
Passo a passo
O que acontece no dia
- 1
Mapa com ultrassom
Exame Doppler em pé, para ver as veias profundas e superficiais e localizar cada ponto de refluxo.
- 2
Fotos e marcação
Fotos padronizadas de frente, de lado e de costas. Um aparelho de luz mostra na pele as veias que o olho não vê, e elas são marcadas com lápis branco.
- 3
Laser
O laser passa sobre as veias marcadas. A potência é ajustada para cada tipo: vasinhos, veias azuladas ou varizes pequenas.
- 4
Glicose gelada
O que sobrou depois do laser recebe a solução de glicose com agulhas bem finas. Como a veia já encolheu, costuma ser preciso pouco líquido: na maioria das pacientes do estudo, estima-se menos de 5 mL por sessão.

A glicose resfriada fica semissólida, como uma pasta (Sathler de Melo & Faccini, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2026).
No estudo, cada sessão durou de 60 a 90 minutos. Os cuidados para depois, como caminhar e usar meia de compressão, são explicados na consulta.
O que o estudo mostrou
41 mulheres, acompanhadas de 3 a 12 meses
Entre fevereiro de 2022 e novembro de 2024, 41 mulheres de 23 a 79 anos foram tratadas com o protocolo, em 70 sessões no total (Sathler de Melo & Faccini, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2026).
Como ler esses números. O estudo revisou casos já tratados, em um único centro, e a melhora foi avaliada pela médica junto com cada paciente olhando as fotos, sem um avaliador independente. Também não houve grupo de comparação. É um bom primeiro sinal, mas os próprios autores pedem estudos maiores para confirmar. 7 das 41 pacientes não chegaram a 70% de melhora. A melhora do refluxo da safena foi um achado secundário, porque o estudo não foi desenhado para medi-la. A resposta de cada pessoa é diferente, e nenhum resultado pode ser garantido.
Segurança
O que pode acontecer, sem rodeios
O que o estudo registrou
- Manchas escuras na pele foram o efeito mais comum. Todas clarearam sozinhas com o tempo.
- Nenhum caso de ferida na pele, de manchas claras ou de alergia.
- Duas tromboses (coágulo em uma veia) entre as 41 pacientes. Uma não precisou de remédio; a outra foi tratada com anticoagulante (remédio que afina o sangue) por 3 meses, com recuperação completa.
O que mudou depois disso
As duas pacientes tinham fatores de risco para trombose, medidos por uma escala chamada Caprini. Desde então, quem tem esse risco recebe um anticoagulante preventivo por 7 dias após o procedimento.
Toda paciente com qualquer queixa depois do tratamento fez ultrassom para checar. Os autores acreditam que essa busca ativa explica por que encontraram mais casos do que o esperado.
Dúvidas comuns
Perguntas que as pacientes fazem
Dói?
A pele é resfriada durante o laser justamente para proteger e reduzir a dor. A solução de glicose pode ser misturada a um anestésico local. A sensação varia de pessoa para pessoa, e isso é conversado na consulta.
Quantas sessões vou precisar?
No estudo, de 1 a 5. O número depende da quantidade de veias, do tamanho delas e de como seu corpo responde. Uma estimativa só é possível depois do ultrassom e do exame.
Glicose? É açúcar mesmo?
Sim, é glicose em concentração alta (67% a 75%). É um esclerosante considerado de potência moderada. Nenhuma paciente do estudo teve reação alérgica.
Vou precisar tirar a safena?
Não necessariamente. Nas varizes pequenas, o refluxo costuma estar em um trecho curto da safena, e o protocolo foi feito para preservá-la. Quem decide é o especialista, a partir do mapeamento com ultrassom.
Posso voltar ao trabalho no mesmo dia?
O procedimento é feito no consultório, sem internação. As orientações para os dias seguintes, como exercício, sol e calor, são individuais e entregues por escrito na consulta.
O resultado é para sempre?
A doença venosa é crônica: as veias tratadas se fecham, mas novas podem aparecer ao longo dos anos. Por isso faz parte do cuidado ter retornos periódicos.
Avaliação
Comece pelo mapa das suas pernas
A primeira consulta inclui conversa, exame e ultrassom Doppler. Só depois disso dá para dizer se esse tratamento é indicado para você.
- Local
- Angiovasc · Rua Mario Vrandecic, 240, sala 304 · Nova Lima, MG
- (31) 99284-5963
- @draclaudiasathler