Dra. Cláudia SathlerAngiologia e cirurgia vascular · Nova Lima, MG
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Vasinhos e varizes pequenas

Tratar as veias que aparecem e, quando possível, preservar a safena

Um tratamento feito no consultório, sem cortes e sem internação, que junta laser e uma solução de glicose gelada. Antes de tudo, um ultrassom mostra se esse caminho serve para as suas pernas.

Baseado em estudo publicado pela própria médica: Sathler de Melo & Faccini, Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, 2026. Trabalho apresentado no International Vein Congress, Miami, 2025.

É para você?

Tudo começa pelo tamanho da veia

Os médicos classificam as veias das pernas em estágios. O estudo tratou dois deles: os vasinhos (estágio C1) e as varizes de até cerca de meio centímetro, que a pesquisa chamou de C2 baixo. Varizes mais grossas, o C2 alto, pedem outra conversa.

Desenhos ilustrativos, fora de escala. Não são fotos de pacientes.

Na clínica, o perfil mais comum é o de mulheres que se incomodam com a aparência das pernas e querem resolver isso sem cirurgia. Foi para esse grupo que o protocolo foi desenhado.

Por que o ultrassom vem primeiro

Nem toda variz significa tirar a safena

A safena é a veia mais longa da perna. Durante muito tempo, quem tinha varizes ouvia que precisaria retirá-la ou fechá-la. Estudos mostram que, em muitas mulheres com veias pequenas, o problema da safena é só um trecho curto, e não a veia inteira.

Por isso a primeira etapa é um mapeamento com ultrassom Doppler, feito em pé. Ele mostra por onde o sangue está voltando no sentido errado (o que os médicos chamam de refluxo). Com esse mapa em mãos, dá para tratar as veias visíveis e, quando possível, manter a safena, em linha com diretrizes recentes de sociedades americanas que favorecem preservá-la (Gloviczki, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2024).

Desenho do mapa de ultrassom das pernas de uma paciente, antes (A) e depois (B) do tratamento, com as safenas em azul e as veias doentes em vermelho
Mapa do ultrassom de uma paciente do estudo, antes (A) e depois (B) do tratamento. Em azul, as safenas. Em vermelho, as veias doentes e, na safena da coxa, o trecho com refluxo. Depois do tratamento, esse trecho deixou de aparecer. Legendas em inglês, do artigo original (Sathler de Melo & Faccini, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2026).

Como funciona

Calor, frio e glicose na mesma sessão

O nome técnico é longo: laser crioescleroterapia híbrida hemodinâmica, ou HHLCS. A ideia é simples: três agentes trabalhando juntos sobre a mesma veia.

Calor

Laser

Um laser de luz infravermelha atravessa a pele e aquece a veia por dentro, o que a faz encolher. A pele é resfriada ao mesmo tempo, para protegê-la e diminuir a dor.

Frio

Solução gelada

Nas veias maiores, a solução é resfriada até virar uma pasta semissólida. O frio parece aumentar o efeito sobre a parede da veia.

Glicose

Esclerosante de potência moderada

A substância injetada é glicose concentrada. Ela irrita a parede da veia até que esta se feche e deixe de aparecer.

Passo a passo

O que acontece no dia

  1. 1

    Mapa com ultrassom

    Exame Doppler em pé, para ver as veias profundas e superficiais e localizar cada ponto de refluxo.

  2. 2

    Fotos e marcação

    Fotos padronizadas de frente, de lado e de costas. Um aparelho de luz mostra na pele as veias que o olho não vê, e elas são marcadas com lápis branco.

  3. 3

    Laser

    O laser passa sobre as veias marcadas. A potência é ajustada para cada tipo: vasinhos, veias azuladas ou varizes pequenas.

  4. 4

    Glicose gelada

    O que sobrou depois do laser recebe a solução de glicose com agulhas bem finas. Como a veia já encolheu, costuma ser preciso pouco líquido: na maioria das pacientes do estudo, estima-se menos de 5 mL por sessão.

    Seringa com a solução de glicose resfriada, em estado semissólido, saindo pela ponta
    A glicose resfriada fica semissólida, como uma pasta (Sathler de Melo & Faccini, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2026).
Antes: veia sob a pele Laser: a veia encolhe Glicose gelada: a veia fecha
Esquema ilustrativo, visto em corte. Com o tempo, o corpo absorve a veia fechada.

No estudo, cada sessão durou de 60 a 90 minutos. Os cuidados para depois, como caminhar e usar meia de compressão, são explicados na consulta.

O que o estudo mostrou

41 mulheres, acompanhadas de 3 a 12 meses

Entre fevereiro de 2022 e novembro de 2024, 41 mulheres de 23 a 79 anos foram tratadas com o protocolo, em 70 sessões no total (Sathler de Melo & Faccini, J Vasc Surg Venous Lymphat Disord, 2026).

34 de 41tiveram melhora de 70% ou mais na aparência das veias, comparando fotos de antes e depois
1 a 5sessões foram necessárias para chegar a esse resultado, variando de pessoa para pessoa
6 de 33que refizeram o ultrassom tiveram o refluxo da safena reduzido ou eliminado, sem nenhuma intervenção na safena

Como ler esses números. O estudo revisou casos já tratados, em um único centro, e a melhora foi avaliada pela médica junto com cada paciente olhando as fotos, sem um avaliador independente. Também não houve grupo de comparação. É um bom primeiro sinal, mas os próprios autores pedem estudos maiores para confirmar. 7 das 41 pacientes não chegaram a 70% de melhora. A melhora do refluxo da safena foi um achado secundário, porque o estudo não foi desenhado para medi-la. A resposta de cada pessoa é diferente, e nenhum resultado pode ser garantido.

Segurança

O que pode acontecer, sem rodeios

O que o estudo registrou

  • Manchas escuras na pele foram o efeito mais comum. Todas clarearam sozinhas com o tempo.
  • Nenhum caso de ferida na pele, de manchas claras ou de alergia.
  • Duas tromboses (coágulo em uma veia) entre as 41 pacientes. Uma não precisou de remédio; a outra foi tratada com anticoagulante (remédio que afina o sangue) por 3 meses, com recuperação completa.

O que mudou depois disso

As duas pacientes tinham fatores de risco para trombose, medidos por uma escala chamada Caprini. Desde então, quem tem esse risco recebe um anticoagulante preventivo por 7 dias após o procedimento.

Toda paciente com qualquer queixa depois do tratamento fez ultrassom para checar. Os autores acreditam que essa busca ativa explica por que encontraram mais casos do que o esperado.

Quem não participou do estudo: mulheres que já tinham feito tratamento na safena, que já tiveram trombose ou embolia, e mulheres com pele muito escura (fototipo VI). Se você está em um desses grupos, a avaliação vai indicar o melhor caminho para o seu caso.

Dúvidas comuns

Perguntas que as pacientes fazem

Dói?

A pele é resfriada durante o laser justamente para proteger e reduzir a dor. A solução de glicose pode ser misturada a um anestésico local. A sensação varia de pessoa para pessoa, e isso é conversado na consulta.

Quantas sessões vou precisar?

No estudo, de 1 a 5. O número depende da quantidade de veias, do tamanho delas e de como seu corpo responde. Uma estimativa só é possível depois do ultrassom e do exame.

Glicose? É açúcar mesmo?

Sim, é glicose em concentração alta (67% a 75%). É um esclerosante considerado de potência moderada. Nenhuma paciente do estudo teve reação alérgica.

Vou precisar tirar a safena?

Não necessariamente. Nas varizes pequenas, o refluxo costuma estar em um trecho curto da safena, e o protocolo foi feito para preservá-la. Quem decide é o especialista, a partir do mapeamento com ultrassom.

Posso voltar ao trabalho no mesmo dia?

O procedimento é feito no consultório, sem internação. As orientações para os dias seguintes, como exercício, sol e calor, são individuais e entregues por escrito na consulta.

O resultado é para sempre?

A doença venosa é crônica: as veias tratadas se fecham, mas novas podem aparecer ao longo dos anos. Por isso faz parte do cuidado ter retornos periódicos.

Avaliação

Comece pelo mapa das suas pernas

A primeira consulta inclui conversa, exame e ultrassom Doppler. Só depois disso dá para dizer se esse tratamento é indicado para você.

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